Chuva e sol, casamento de... fé!

Chuva e sol, casamento de... fé!

Nosso casamento foi em Setembro. Alem de ser início da primavera, nos agradou muito a estatística histórica de pouquíssima chuva neste mês (já que queríamos casar no campo e ao ar livre). Fechamos a data, o local, e partimos para a busca dos fornecedores. Somos ambos ansiosos, intensos e (infelizmente) controladores, então rapidamente tínhamos contratos fechados para todas as coisas, materiais e adereços comprados, vestimentas e lembrancinhas prontas, etc.

Parecia tudo extremamente em ordem, ao ponto que o time de assessoria nos parabenizou por estarmos muito mais organizados e tranquilos no dia do nosso casamento do que a maioria dos casais está. Mas havia um fator que estava totalmente fora do nosso controle, não importa o quanto nos esforçassemos: o tal do clima.

Veja bem, esse tivemos instabilidades climáticas acima do normal, até para uma cidade já complexa como São Paulo. Dois meses antes do casamento, em julho, fizemos nosso chá-bar (uma espécie de chá-de-panelas com todo mundo junto). A semana deste evento foi de muita chuva e frio. Estávamos orando a Deus pedindo que o tempo desse uma trégua no dia para que pudéssemos acomodar melhor os convidados (o local, semelhantemente ao do próprio casamento, era muito aberto). E Ele de fato nos presenteou com um dia de muito sol! De forma que muitos convidados ficaram nas áreas ao ar livre e conseguimos deixar todas as janelas do salão abertas. A Talita diz que olhar para aquele salão amplo e os convidados tão à vontade com o céu aberto foi uma das formas que ela mais sentiu a presença de Deus alí.

Mas a coisa apertou nos meses seguintes. Foi o Setembro mais chuvoso dos últimos anos, pegando diversos noivos de surpresa. Os meteorologistas registraram tornados no interior e informaram que estavamos sofrendo efeitos do El Niño mais intenso já observados. Na quinzena que antecedia nosso casamento, acompanhamos a previsão do tempo dia a dia e continuamos orando a Deus pedindo por mais um dia de sol. Talita se angustiou muito em seu coração, pois a possível necessidade de colocar uma tenda na nossa cerimônia iria arruinar seu sonho de casar a céu abertos no lugar que tínhamos escolhido com tanto empenho. Ela havia visto fotos da tenda e achava que tirava o charme do espaço.

Além disso, sabíamos que o valor pela tenda ali era um preço bem alto. Nada menos que quinze mil reais! E pior: e se contratassemos a tal cobertura mas o dia amanhecesse com sol? Seria possível pedir para tirá-la? Sentimos uma mistura de medo, culpa (será que deveríamos ter fechado um lugar com um plano B mais estruturado) e principalmente, dificuldade de confiar nos planos de Deus.

O Math seguiu para um lado mais pragmático da resolução do nosso problema, entrar em contato com fornecedores, redistribuir as mesas e a Tali estava resistente, ainda acreditando que Deus poderia fazer o desejo do nosso coração, afinal Ele sabe o quanto para nós era importante este dia. E foi um trabalho de convencimento dos nossos corações, na última semana, fizesse chuva ou sol. Ele continua amando casamentos e nos amava independente do que acontecesse. E nosso coração descansou na segurança de saber que Ele cuida dos detalhes.

O primeiro presente de Deus veio ao conversarmos com o fornecedor da tenda que nos informou que ela já estava montada no local para um casamento do fim de semana anterior e, portanto, poderia fazer um valor muito mais em conta pra gente: cerca de dois mil reais! Excelente! Mas, para isso, era necessário que o casal de noivos do dia anterior ao nosso concordassem em deixar a tenda lá. Do contrário, a equipe da tenda não teria tempo hábil para desmontar e remonta-la só para nós. Olhamos a previsão do tempo de novo: Domingo, dia do nosso casamento, a previsão mais otimista era de pelo menos 60% de chance de chuva. Olhamos então Sábado, dia do casal anterior. Sem previsão de chuva, só nublado. Ficamos com medo de eles não aceitarem e, sem tenda, não teríamos outra provisão!

E foi aí que algo magnífico aconteceu. Nós tínhamos preparado TUDO nos mínimos detalhes. Até às caixas de materiais para as assessoras montarem as mesas estavam devidamente embaladas e rotuladas com os itens de cada pacote. O planejamento do dia anterior calculado com cuidado hora a hora. Os convidados e celebrantes todos confirmados duas vezes. Mas sobre o clima, não havia NADA que poderíamos fazer. Nem mesmo tentar convencer o outro casal sobre a tenda. NADA, apenas CONFIAR e orar.

E mais uma vez, Deus não decepciona em sua generosidade. O casal topou manter a tenda e, no domingo, percebemos que ela estava muito mais bonita no cenário do que antecipamos. Na verdade, alguns convidados até vieram a nós comentando sobre a beleza do espaço e, especificamente, da tenda. Além disso, a decoração escolhida era rústica, combinando perfeitamente com um dia nublado.

E afinal, fez sol no dia? Não, choveu o dia INTEIRINHO. Uma chuva leve, mas constante. Do início da manhã até nossa saída à noite. O dia anterior estava perfeito, exatamente do jeito que a gente gostaria, sol fraco e sem chuva. O dia seguinte abriu um sol forte! Mas por algum motivo, Deus queria chuva naquele Domingo do nosso casamento. Ele não atendeu nosso pedido por sol, mas aquietou nossos corações, mandou provisão para a chuva, e o casamento foi lindo!

Ele continuou amando o nosso casamento, mesmo na chuva, e alguns convidados ressaltaram que a chuva só combinou mais com o espaço.

Conversando entre a gente depois imaginamos Deus olhando pra nós e pensando “acalmem-se, meus filhos… Não vou realizar o desejo do coração de vocês, mas confiem em mim, meu plano é muito melhor do que vocês imaginam. Eu vou suprir vocês, sempre.”

Tudo havia corrido muito bem até a semana anterior ao casamento e parecíamos não ter perdido o controle nem por um segundo. Mas então aconteceu tudo que relatamos acima. Para dois controladores como nós, perder o controle justamente na última semana nos lembrou que estamos sujeitos a uma vontade muito maior que a nossa, e fez com que chegássemos no altar exatamente como desejávamos: dependentes e humildes diante de Deus, experimentando a graça e misericórdia dEle. A chuva nos ensinou isto. Talvez ela estivesse lá, apenas para nos lembrar dessa lição… Mesmo nos dias mais chuvosos, se olharmos direito, ainda podemos ver o sol.


Escrito por Matheus e Talita

Matheus Tavares

Matheus Tavares

Olá! Sou um desenvolvedor de software, cristão, esquecido crônico, metódico em desconstrução (ou pelo menos tentando), amante da natureza e, principalmente, de estar com pessoas. Gosto de esportes, caminhar, sair, e escrever. Esse blog é meu pequeno caderno de anotações pessoais. Coisas que gostaria de lembrar.

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